Morre Arlete Caramês, símbolo da luta por crianças desaparecidas no Paraná — e a pergunta continua: onde está Guilherme?
- 25/03/2026
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A morte de Arlete Caramês, aos 82 anos, nesta terça-feira (24), encerra um capítulo doloroso da história do Paraná — mas não fecha a ferida. Pelo contrário. Escancara uma pergunta que atravessa mais de três décadas: o que aconteceu com o menino Guilherme?
O desaparecimento ocorreu em 17 de junho de 1991, no bairro Jardim Social, em Curitiba. Guilherme, então com apenas 8 anos, saiu de casa de bicicleta e nunca mais foi visto. Antes disso, fez uma ligação para a mãe pedindo autorização para usar um dinheiro que havia encontrado na rua. Foi o último contato.
A polícia realizou buscas intensas na época. Cães farejadores, varreduras em áreas próximas e até um rio da região foi investigado. Nenhum vestígio. Nem a criança. Nem a bicicleta.
Diante do silêncio das respostas, Arlete fez o que poucas pessoas conseguem: transformou a dor em luta.
Passou a cobrar autoridades, mobilizar a sociedade e dar voz a outras famílias que viviam o mesmo pesadelo. Sua atuação foi determinante para a criação do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), hoje referência nacional.
Arlete também fundou o Movimento Nacional da Criança Desaparecida no Paraná e entrou para a vida pública, sendo vereadora de Curitiba entre 2001 e 2003 e deputada estadual de 2003 a 2006.
Mesmo com o passar dos anos, nunca desistiu.
Dentro de casa, manteve intactos os objetos do filho — roupas, lembranças e fotografias — como se o tempo tivesse parado naquele 17 de junho.
A Câmara Municipal de Curitiba lamentou a morte e destacou sua trajetória como uma mulher que transformou uma tragédia pessoal em uma causa coletiva.
Arlete partiu. Mas o caso de Guilherme segue aberto — e sem respostas.
Fonte: Portal O Vale.






